Fermentos e fermentação na panificação
A fermentação é um dos processos mais importantes na panificação, pois é ela que transforma uma simples mistura de farinha e água em uma massa aerada e cheia de sabor. O fermento é o agente responsável por esse processo, liberando gases que fazem a massa crescer e desenvolvendo compostos que influenciam no aroma e no sabor do pão.

A escolha do tipo de fermento e a forma como a fermentação é conduzida afetam diretamente a textura, o tempo de preparo e a qualidade final do pão. Vamos entender como isso funciona!
O que é a fermentação na panificação?
A fermentação é o processo biológico em que leveduras (ou bactérias, no caso da fermentação natural) consomem os açúcares da farinha e produzem dióxido de carbono (CO₂) e álcool.
O CO₂ fica preso na rede de glúten, expandindo a massa e criando um miolo aerado.
O álcool e outros compostos aromáticos gerados durante a fermentação contribuem para o sabor e o aroma do pão.
Esse processo pode ser mais rápido ou mais lento, dependendo do tipo de fermento utilizado e da temperatura de fermentação.
Tipos de fermento na panificação
Existem diferentes tipos de fermento, e cada um deles impacta o pão de maneira diferente.
1. Fermento biológico
O fermento biológico é composto por leveduras do gênero Saccharomyces cerevisiae, que se alimentam dos açúcares presentes na massa e produzem o gás que faz o pão crescer.
Tipos de fermento biológico:
Fermento biológico fresco
Contém leveduras vivas em estado ativo.
Deve ser mantido refrigerado e tem menor prazo de validade.
É ideal para fermentações longas, pois desenvolve mais sabor na massa.
Fermento biológico seco
Versão desidratada do fermento fresco, com leveduras em estado de dormência.
Tem maior durabilidade e pode ser armazenado em temperatura ambiente.
Deve ser ativado em água morna antes de ser misturado à massa (se for fermento seco ativo).
Fermento instantâneo
Tipo de fermento seco que pode ser misturado diretamente à farinha sem necessidade de ativação.
Cresce rapidamente e é ideal para receitas que precisam de fermentação mais curta.
💡 Comparação prática:
Se deseja um pão com mais sabor e complexidade → Use fermento biológico fresco ou faça fermentação longa com fermento seco.
Se busca praticidade e rapidez → Use fermento biológico seco instantâneo.
2. Fermentação natural (Levain ou Massa Madre)
A fermentação natural utiliza uma cultura de leveduras e bactérias selvagens, que se desenvolvem naturalmente na mistura de farinha e água. Esse método é mais antigo e resulta em pães com sabor mais complexo, casca crocante e melhor digestibilidade.
Vantagens do levain:
✔️ Desenvolve pães com sabor mais profundo e levemente ácido.
✔️ Proporciona maior conservação, pois a acidez natural inibe o crescimento de fungos.
✔️ Melhora a digestão, pois pré-digere parte dos carboidratos e proteínas.
Desvantagens do levain:
❌ Exige mais tempo e cuidados, pois precisa ser alimentado regularmente.
❌ A fermentação é mais lenta, o que pode ser um desafio para quem tem pressa.
💡 Se quiser experimentar fermentação natural, comece cultivando um levain e veja a diferença no sabor do pão!
Curiosidade: O levain da chef Ana Paula, professora do curso de panificação aqui do Doce na Medida, já tem 08 anos e se chama Lavina. 👩🍳🥰
3. Fermento químico
Diferente dos fermentos biológicos, o fermento químico (bicarbonato de sódio ou fermento em pó) reage quimicamente com líquidos ácidos na massa, liberando CO₂ instantaneamente.
Usado em pães rápidos, como soda bread e pão de minuto.
Não precisa de tempo de descanso, pois a liberação de gás acontece logo após a mistura dos ingredientes.
Não desenvolve sabor complexo como os fermentos biológicos.
💡 Use fermento químico para receitas que não exigem fermentação longa, como bolos e pães de preparo rápido.
Fatores que influenciam a fermentação
A fermentação pode ser controlada por vários fatores que afetam o crescimento da massa e o sabor do pão.
Temperatura
Frio (abaixo de 10°C) → Fermentação lenta, ideal para desenvolver mais sabor.
Temperatura ambiente (20-30°C) → Crescimento equilibrado, comum na panificação diária.
Calor excessivo (acima de 40°C) → Pode matar o fermento e impedir o crescimento da massa.
Hidratação da massa
Massas com maior hidratação permitem melhor desenvolvimento do fermento.
Pães de fermentação longa costumam ter hidratação acima de 70%.
Tempo de fermentação
Fermentação curta (1-2 horas) → Produz pães mais neutros, com menos complexidade de sabor.
Fermentação longa (8-24 horas) → Desenvolve sabores mais ricos e melhora a digestão do pão.
Quantidade de fermento
Mais fermento = fermentação mais rápida.
Menos fermento = fermentação mais lenta, mas com sabor mais complexo.
Fermentação direta x fermentação retardada
A forma como a fermentação é conduzida também influencia a qualidade do pão.
Fermentação direta → O pão fermenta uma única vez e é assado no mesmo dia.
Rápida e prática, mas gera menos complexidade de sabor.
Usada para pães do dia a dia, como pão francês e pão de sanduíche.
Fermentação retardada (fria ou longa) → A massa é refrigerada por várias horas antes de ser assada.
Resulta em pães mais aromáticos e com melhor digestibilidade.
É comum em pães artesanais, baguetes e ciabatta.
💡 Se quiser um pão mais saboroso, experimente retardar a fermentação deixando a massa na geladeira por 12-24 horas antes de assar.
Conclusão: a chave para um pão perfeito está na fermentação
O fermento é o coração da panificação, e entender como a fermentação funciona permite criar pães mais leves, saborosos e bem estruturados. Seja usando fermento biológico para resultados rápidos ou fermentação natural para pães mais complexos, o controle do tempo, da temperatura e da hidratação são fundamentais para um pão de qualidade.
Agora que você conhece mais sobre fermentação, que tal testar diferentes métodos e comparar os resultados? 🍞✨